| Sara e Agar |
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| Escrito por Crispim |
| Ter, 05 de Agosto de 2008 15:23 |
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Sobre a alegoria apresentada por Paulo aos cristãos nas regiões da Galácia, não podemos esquecer que ela é focada em Sara e Agar. Deus prometeu a Abraão que faria dele uma nação numerosa e que nele todas as famílias da terra seriam benditas. De Abraão a Escritura diz que ele teve dois filhos: Ismael com a escrava e Isaque com a livre. Os judeus consideravam serem descendentes de Abraão segundo a linhagem de Isaque. Por Isaque nascer segundo a promessa de Deus os judeus acreditavam que eram filhos de Deus por serem descendentes de Abraão e Isaque. Paulo, porém, traz a lume o grande mistério desta passagem, e evidenciou o que os judaizantes não atinavam: foi Abraão que teve filhos, e não Deus ( Gl 4:22 ). Ismael, um dos filhos de Abraão, foi gerado segundo a carne, segundo a vontade de Sara e Abraão. Com relação ao sangue, Ismael era filho de uma escrava, Agar, que somente podia gerar filhos para escravidão. Diferente de Ismael, Isaque foi gerado segundo a promessa de Deus ( Gl 4:23 ). É preciso observar que tanto Ismael como Isaque foram filhos de Abraão. O filho decorrente da promessa também era filho do pai Abraão, ou seja, filho nascido da vontade da carne, do sangue e da vontade de Abraão, porém, segundo a promessa de Deus. Por que é preciso fazer esta distinção? Porque somente a mulher de Abraão, Sara, estava impossibilitada de gerar por causa da avançada idade. Observe que mesmo após a morte de Sara, Abraão teve concubinas e filhos ( Gn 25:1 -4). Mesmo após serem justificados pela fé, todos os filhos de Abraão foram gerados segundo a carne. Somente o Descendente, que é Cristo, nasceu segundo a vontade de Deus e através do Espírito de Deus. Até mesmo Isaque, nascido segundo a promessa, através da operação do poder de Deus, era filho segundo a carne, segundo a vontade e sangue de Abraão. Isaque era descendente de Abraão (filho), porém, para se tornar filho de Abraão (filho de Deus), precisou ter a mesma fé que teve o Pai Abraão, pois somente por meio da fé o homem alcança a filiação divina. A promessa de Deus a Abraão repousa sobre o Descendente, que é Cristo, o filho Unigênito de Deus, e os seus filhos segundo a carne (descendentes) não são filhos de Deus. Mas, o que Paulo procurou evidenciar através da alegoria fixa-se sobre as pessoas de Sara e Agar. Paulo apresenta as duas mulheres, Sara e Agar como sendo alegoria das duas alianças de Deus: a lei e a graça. Deus prometeu uma nação numerosa e que todas as famílias da terra seriam benditas em Abraão. Mas, a alegoria não se fixa a promessa feita a Abraão, e sim, a promessa feita a Sara. A promessa feita a Sara, e que Paulo evidência nesta alegoria diz: "EU a abençoarei, e dela te darei um filho" ( Gn 17:16 ), e ( Gn 18:10 ); "O Senhor visitou a Sara, como tinha dito, e lhe fez como havia prometido" ( Gn 21:1 ). Na alegoria apresentada por Paulo, o que deve ser destacado é a promessa de Deus à Sara. Da promessa feita à Sara não surgiram filhos a Deus, como os judaizantes acreditavam, antes Deus disse a Abraão: "... em Isaque será chamada a tua descendência" ( Gn 21:12 ), que é Cristo. A filiação divina decorre da promessa feita a Abraão, e é proveniente do Descendente, e não de Isaque. A promessa de Deus a Sara destaca-se pelo fato de ter sido concedido a ela poder para conceber um filho, embora avançada em idade "Pela fé, também, a própria Sara recebeu poder de conceber um filho, mesmo fora da idade, porque teve por fiel aquele que lhe havia feito a promessa" ( Hb 11:11 ). Só através do Descendente, que é Cristo, torna-se possível gerar filhos para Deus. Filhos nascidos, não da carne, nem do sangue, e nem da vontade do varão, mas da vontade de Deus ( Jo 1:12 ). Para que os filhos de Deus sejam gerados, há a necessidade de nascerem da palavra e do Espírito de Deus. Nascer de Deus só é possível por meio da pregação do evangelho que é semente incorruptível e poder de Deus pela fé em Cristo. A alegoria demonstra que Agar vincula-se ao monte Sinai, que corresponde à cidade de Jerusalém atual, visto que ela e Ismael habitaram antes de todos os israelitas no deserto de Parã ( Gn 21:21 ). Como os judaizantes se gloriavam da lei, e da cidade de Jerusalém, Paulo demonstra que o único que teve possessão desde os pais, foi Ismael, o filho de Abraão com a escrava. Da mesma forma que Ismael é alegoria para os que vivem sob a lei e estavam reduzidos à escravidão, Isaque também é alegoria para o cristão ( Gl 4:28 ). Os cristãos são filhos da promessa como Isaque, pelos motivos seguintes:
Sara e Agar é alegoria das duas alianças: graça e lei respectivamente. Agar e seu filho alcançaram possessão no deserto de Parã, que fica na região do monte Sinai. Especificamente refere-se a um monte da Arábia, que é a Jerusalém atual. Todos os que estão debaixo da lei são escravos, pois são nascidos segundo a carne, e procuram uma possessão terrena. Já os que nascem da promessa, são filhos de Abraão pela fé em Cristo, e desejam uma possessão melhor, a Jerusalém que é livre, e é de cima ( Gl 4:26 ). Os judaizantes se esquecem da palavra de Sara que protesta contra os filhos da escrava Agar: "...o filho desta escrava não herdará com o meu filho Isaque" ( Gn 21:10 ). Os judeus acreditavam que eram filhos de Deus por ser Isaque filho da promessa. Porém, não observaram que Isaque era filho da promessa que foi feita à Sara, e que a promessa de filiação divina somente é possível pela fé em Deus, que prometeu o seu Filho, o Descendente. Não podemos esquecer-nos da comparação estabelecida: "Mas nós, irmãos, somos filhos da promessa como Isaque" (v. 28). Isaque nasceu da promessa feita à Sara, e o Cristão por meio da promessa feita a Abraão. Desta forma somos filhos da promessa como Isaque, o que se entende alegoricamente. Por quê? Porque Isaque nasceu segundo a promessa, fidelidade e poder de Deus, e os cristãos através da união com o Descendente. Nascem também segundo a promessa feita a Abraão, pois Deus é fiel e concede a sua palavra, que é poder de Deus para todos quantos crêem, para serem feitos filhos de Deus ( Jo 1:12 ; Rm 1:16 ). O cristão é filho da promessa como Isaque, e não em Isaque, como os que esperavam ser justificados pela lei compreendiam. |
| Última atualização em Qui, 11 de Junho de 2009 13:18 |
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Nm 5:26 "Também o sacerdote tomará um punhado da oferta memorativa, e sobre o altar a queimará; e depois dará a beber a água à mulher. " Os 14:1 "CONVERTE-TE, ó Israel, ao SENHOR teu Deus; porque pelos teus pecados tens caído. " Jó 19:15 "Os meus domésticos e as minhas servas me reputaram como um estranho, e vim a ser um estrangeiro aos seus olhos. " |