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O Castigo Santifica? PDF Imprimir E-mail
Escrito por crispim   
Dom, 02 de Agosto de 2009 15:11

A correção não concede a filiação, pois a filiação é por meio do novo nascimento. Somente após o homem nascer de novo, da água e do Espírito é que será disciplinado pelo Senhor. O cristão torna-se participante da santidade de Deus por ser gerado da semente incorruptível ( Ef 4:24 ), o que lhe dá a condição de filho. Não é a correção que dá a condição de filho. Após receber os que crêem em Cristo por filhos, Deus os corrige, e eles devem suportar a disciplina como filhos amados.

 

“... mas este, para nosso proveito, para sermos participantes da sua santidade”
( Hb 12:10 )
 

A Disciplina Santifica?

Alguns teólogos afirmam que a santificação se dá mediante a submissão à disciplina divina, e utilizam estes versículos para dar sustentação a tal posicionamento doutrinário: "Pois eles nos corrigiam por pouco tempo, segundo melhor lhes parecia; Deus, porém, nos disciplina para aproveitamento, a fim de sermos participantes da sua santidade” ( Hb 12:1 -11), e "Mas, quando somos julgados, somos disciplinados pelo Senhor, para não sermos condenados com o mundo” ( 1Co 11:32 ).

“Tornamos-nos participantes da santidade de Deus por intermédio da administração de castigo por nosso Pai Celeste, e por meio de nossa submissão ao mesmo castigo” BANCROFT, EMERY H., Teologia Elementar, ed. EBR, 2001, 10ª Impressão, Pág. 265 (grifo nosso).

Muitos por entenderem que a santificação divide-se em três fases, sendo uma delas PROGRESSIVA. Entendem que tal fase refere-se à vida terrena do cristão, e afirmam que a Santificação se dá por intermédio dos 'castigos' aplicados por Deus, e utilizam os versículos citados acima.

Porém, ao analisar os versículos dentro do contexto, temos a seguinte surpresa: o castigo de Deus não é para Santificação! A disciplina ou a correção de Deus não torna ninguém santo!

O início do capítulo doze da carta aos Hebreus é conclusão de uma idéia que teve inicio em capítulos anteriores Portanto, visto que...” ( Hb 12:1 ). Nesta conclusão o escritor propõe que os cristãos corram com perseverança a carreira proposta, olhando firmemente para Cristo.

Dentro da conclusão o escritor apresenta um novo argumento solicitando aos cristãos que considerassem o quanto os pecadores se opuseram a Cristo: Considerai aquele que suportou...” ( Hb 12:3 ). Ele apresenta dois argumentos para convencer os cristãos a perseverarem na fé (carreira proposta):

  • Ainda não tinham resistido até o sangue ( Hb 12:4 );
  • Não haviam chegado ao monte Sinai, mas sim ao monte Sião ( Hb 12:18 à 22).

No primeiro argumento, que dispõe sobre a necessidade de se considerar o sofrimento de Jesus, temos a exortação: “Ainda não resististes até o sangue (...) e já vos esquecestes da exortação que vos admoesta como a filhos” ( Hb 12:5 ).

O escritor apóia a sua argumentação em um verso do Livro de Provérbios que diz: “Filho meu, não desprezes a correção do Senhor, e não desmaieis quando por ele fores repreendido, porque o Senhor corrige a quem ama, e açoita a todo o que recebe por filho” ( Pv 3:11 ).

Com base neste versículo, o escritor da Carta aos Hebreus desenvolve o seguinte raciocínio dividido nas seguintes premissas:

  • A correção é para disciplinar, instruir, corrigir ( Hb 12:6 );
  • O tratamento dispensado por Deus aos Cristãos é como o tratamento que os pais dispensam a seus filhos ( Hb 12:7 );
  • Que filho há que não necessite de correção?;
  • Se alguém não sofre a disciplina é porque não é filho. Não passa de bastardo ( Hb 12:8 );
  • Os pais (segundo a carne) corrigem e os filhos os respeitam, portanto, os cristãos são convidados a sujeitarem a Deus? ( Hb 12:9 );
  • Os pais corrigem como bem lhes parece e por um período de tempo; mas Deus corrige “...para sermos participantes da sua santidade” ( Hb 12:10 ).

Através de uma leitura superficial, alguém pode concluir que o cristão é santificado mediante as correções (disciplina), entretanto, não é esta a idéia do escritor da carta!

O escritor simplesmente demonstrou qual é o tratamento que Deus dispensa àqueles que são recebidos por filhos: a disciplina “Pois que filho há a quem o pai não corrige?”. Porém, a disciplina não promove a filiação divina, antes é a filiação que traz a disciplina.

A correção não concede a filiação, pois a filiação é por meio do novo nascimento. Somente após o homem nascer de novo, da água e do Espírito é que será disciplinado pelo Senhor.

O cristão torna-se participante da santidade de Deus por ser gerado da semente incorruptível ( Ef 4:24 ), o que lhe dá a condição de filho. Não é a correção que dá a condição de filho. Após receber os que crêem em Cristo por filhos, Deus os corrige, e eles devem suportar a disciplina como filhos amados.

Através da fé em Cristo, os cristãos foram de novo gerados. Estes não têm outro destino a não ser serem filhos por adoção (predestinados), ou seja, para quem esta em Cristo não há outro destino: são filhos de Deus.

Caso alguém não queira a posição de filho, que não venha a Cristo, visto que, todos quantos aceitarem a Cristo como Senhor, estes são recebidos por filhos (predestinados) “Em amor nos predestinou para sermos filhos de adoção...” ( Ef 1:5 ).

Os cristãos a quem Paulo estava escrevendo eram inculpáveis em meio a uma geração perversa, ou seja, geração que decorre da semente de Adão “... filhos de Deus inculpáveis...” ( Fl 2:15 ), e, por isso mesmo, participantes da santidade divina.

A idéia que o escritor aos Hebreus evidenciou aos cristãos é que se tornaram participantes da santidade divina (natureza). Para isso, ele se socorreu da exortação que admoesta os homens quando recebidos por filhos ( Pv 3:11 ).

Deus recebeu os cristãos por filhos e os trata como filhos “Deus vos trata como a filhos” ( Hb 12:7 ), e a disciplina que o cristão 'sofre' confirma que está de posse de uma nova condição em Cristo: é filho, e por isso, será corrigido e disciplinado pelo Pai.

A disciplina de Deus demonstra o cuidado que Ele dispensa aos seus filhos, que através de Cristo são legítimos, e não bastardos. Enquanto os pais naturais corrigem os seus filhos segundo um parecer próprio, Deus corrige os seus para que permaneçam participantes da sua Santidade.

O cristão é santo por ser participante da natureza divina ( 2Pe 1:4 ), e não porque sofre a correção. E ninguém, que ainda não é filho, será disciplinado por Deus, pois a correção só é para os filhos.

Se os cristãos considerarem que Cristo suportou a oposição dos pecadores contra si ( Hb 12:3 ), não desfalecerão. O que pesa sobre os cristãos hoje é a correção do Senhor, e não a oposição dos pecadores, pois Ele já os recebeu por filhos.

A correção do Senhor serve para demonstrar que os cristãos são verdadeiramente seus filhos, e que precisam permanecer participantes de sua Santidade.

A correção do Senhor demonstra simplesmente que o cristão foi recebido por filho, e que não é bastardo. Jamais a correção ou a disciplina é o elemento que Santifica o homem.

Última atualização em Qua, 19 de Agosto de 2009 21:16
 

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2Co 3:7

"E, se o ministério da morte, gravado com letras em pedras, veio em glória, de maneira que os filhos de Israel não podiam fitar os olhos na face de Moisés, por causa da glória do seu rosto, a qual era transitória, "


Lv 27:28

"Todavia, nenhuma coisa consagrada, que alguém consagrar ao SENHOR de tudo o que tem, de homem, ou de animal, ou do campo da sua possessão, se venderá nem resgatará; toda a coisa consagrada será santíssima ao SENHOR. "


Ef 5:1

"SEDE, pois, imitadores de Deus, como filhos amados; "



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